Os preços futuros da soja iniciaram a quarta-feira (4) em queda na Bolsa de Chicago (CBOT), ampliando as perdas registradas nos dois primeiros pregões de novembro. O contrato janeiro/27 voltou a se aproximar dos US$ 12,00 por bushel, em um mercado que acompanha novas estimativas de aumento da produção norte-americana e brasileira, enquanto os operadores avaliam a capacidade da demanda internacional de absorver a oferta projetada.
Por volta das 8h28 (horário de Brasília), o contrato novembro/26 era negociado a US$ 11,9250 por bushel, com queda de 10,50 cents em relação ao fechamento anterior. O janeiro/27 recuava 10,75 cents, cotado a US$ 12,0325, enquanto o março/27 apresentava baixa de 10,00 cents, para US$ 12,1075. O maio/27 perdia 9,50 cents, negociado a US$ 12,2025 por bushel.
A pressão ocorre depois de duas sessões consecutivas de perdas em Chicago. Na terça-feira (3), o janeiro/27 encerrou o pregão a US$ 12,1400 por bushel, com recuo de 2,75 cents, enquanto os contratos mais longos apresentaram desvalorizações mais intensas.
A continuidade das baixas ocorre mesmo após novos anúncios de vendas americanas para exportação. O movimento reforça a atenção dos operadores às expectativas de oferta e ao posicionamento dos investidores, em um momento de aproximação do próximo relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
StoneX eleva estimativas de produção americana e brasileira
As perspectivas de oferta internacional ganharam novos elementos com as revisões de produção divulgadas pela StoneX.
Nos Estados Unidos, a consultoria elevou em 0,9 bushel por acre sua estimativa de produtividade da soja, passando a projetar rendimento médio de 55 bushels por acre para a temporada 2026/27.
Com a revisão, a projeção de produção norte-americana foi ampliada em 77 milhões de bushels, alcançando 4,725 bilhões de bushels, segundo informações divulgadas pelo Barchart.
No Brasil, a StoneX também revisou para cima sua estimativa para a safra 2026/27, elevando a projeção em 1,59 milhão de toneladas, para 184,95 milhões de toneladas.
As novas estimativas reforçam as perspectivas de disponibilidade elevada nas duas principais origens produtoras, embora os números ainda dependam de confirmação. Nos Estados Unidos, o próximo relatório oficial do USDA deverá oferecer uma nova referência para a produção, enquanto no Brasil o desenvolvimento da safra permanece condicionado às condições climáticas.
Colheita americana avança e demanda externa continua no radar
Segundo o último relatório Crop Progress do USDA, a colheita de soja dos Estados Unidos alcançou 88% da área cultivada até 1º de novembro, quatro pontos percentuais acima da média dos últimos cinco anos.
O avanço dos trabalhos confirma a proximidade da conclusão da colheita americana e mantém a disponibilidade física da oleaginosa entre os fundamentos acompanhados pelo mercado.
Do lado da demanda, o USDA anunciou na terça-feira uma nova venda de 134 mil toneladas de soja norte-americana para destinos não revelados, com entrega prevista para a temporada comercial 2026/27.
A operação ocorreu um dia depois da confirmação de uma venda de 136 mil toneladas para a China, enquanto os dados de inspeções para exportação também continuam mostrando movimentação expressiva.
Na semana encerrada em 29 de outubro, as inspeções americanas de soja totalizaram 2,44 milhões de toneladas. No acumulado da temporada, o volume alcançou 12,18 milhões de toneladas, crescimento de 56% em relação ao mesmo período do ano passado.
Apesar dos indicadores positivos, os preços seguem pressionados, mostrando que os resultados recentes da demanda ainda não foram suficientes para garantir uma recuperação consistente dos contratos futuros.
Fundos e desenvolvimento da safra brasileira completam cenário
Além das expectativas de produção, o posicionamento dos fundos de investimento continua entre os fatores acompanhados pelos operadores.
Análises recentes do mercado internacional apontam a redução da exposição comprada dos investidores como um elemento de pressão sobre os preços, em um momento de revisão das expectativas para o balanço global de oferta e demanda.
No Brasil, o plantio da safra 2026/27 chegou a 53% da área prevista, segundo levantamento da AgRural divulgado nesta semana, acima dos 47% registrados no mesmo período do ano passado.
O ritmo mais adiantado reforça as expectativas de uma produção volumosa, mas as condições climáticas de novembro ainda serão importantes para confirmar o potencial produtivo, especialmente diante das diferenças na distribuição das chuvas entre as regiões produtoras.
Para os produtores brasileiros, a continuidade das perdas em Chicago mantém a atenção sobre o comportamento do dólar e dos prêmios de exportação. A valorização cambial pode ajudar a limitar os impactos das baixas internacionais sobre os preços em reais, embora as condições efetivas de comercialização dependam também da demanda e das referências regionais.
O mercado aguarda agora a próxima atualização de oferta e demanda do USDA, prevista para 10 de novembro, que poderá trazer novas informações sobre a produção americana e o equilíbrio entre oferta e consumo da soja.
Fonte: Notícias Agrícolas