A colheita de trigo no Sul avança com perdas de produtividade e problemas de qualidade, enquanto a oferta para panificação preocupa o mercado. Segundo a TF Agroeconômica, o Rio Grande do Sul pode produzir 1,87 milhão de toneladas, quase metade das 3,58 milhões colhidas no ano passado.
A projeção considera rendimento de 2.400 quilos por hectare e fica abaixo das 2,26 milhões de toneladas estimadas pela Conab. A colheita gaúcha estaria em 43%, com avanço superior a 85% nas Missões e em Santa Rosa. Do volume já colhido, 14% é tipo 1, 67% tipo 2 e 19% tipo 3. A baixa proporção de grão apto à moagem e os níveis elevados da micotoxina DON dificultam a comercialização.
No mercado gaúcho, o trigo para moagem da safra nova gira em torno de R$ 1.400 por tonelada. O destinado à ração alcançou R$ 1.210 por tonelada no porto, para janeiro, favorecido pelo dólar, mas encontra resistência das indústrias diante do milho mais barato. O importado foi ofertado a US$ 290 por tonelada, posto em Rio Grande. Em Panambi, o balcão caiu para R$ 71 por saca. As cotações do trigo permitem acompanhar as diferenças entre praças.
Em Santa Catarina, negócio recente de trigo tipo 1 em Campos Novos ocorreu a R$ 1.600 por tonelada. Parte do grão colhido apresenta qualidade insuficiente, mas as lavouras ainda em enchimento seguem em boas condições, e as próximas chuvas podem ter impacto limitado.
No Paraná, a expectativa é de 2,2 milhões de toneladas para uma necessidade de 3,85 milhões. Com a qualidade afetada pelas chuvas, relatos não confirmados apontam apenas 800 mil toneladas de trigo tipo 1. A avaliação é de que as importações estaduais possam alcançar de 1 milhão a 2 milhões de toneladas, sustentando preços próximos à paridade de importação.
Fonte: Agrolink